Reitor da UPE participa de homenagem a pesquisador da Fiocruz Pernambuco

Um exemplo de pessoa forte, justa, que sabe ouvir e acredita no outro. Mestre, amigo. Referência como pesquisador, como pai. Homem que fez suas escolhas na vida. Essas foram algumas das definições dadas ao pesquisador da Fiocruz Pernambuco André Furtado, na tarde do dia 05/12, na homenagem prestada a ele por seus 80 anos de vida. A cerimônia aconteceu no auditório Frederico Simões Barbosa, reunindo colegas de trabalho, amigos e familiares.

Incumbida de falar sobre a carreira científica de Furtado, a pesquisadora Leda Regis, que trabalhou com ele no Departamento de Entomologia, falou da formação profissional dele e como isso colaborou para tornar a instituição pernambucana em centro de excelência em pesquisa. De acordo com ela, esse histórico profissional foi marcado por iniciativas importantes, que refletem a força do homenageado.

Nascido em Várzea Alegre (CE), André Furtado decidiu aos 12 anos deixar sua família para estudar na Congregação Marista, em Missão Velha (CE), a convite de um educador. Graduado em história natural, foi professor do Colégio São Luiz e da Coordenadoria de Ensino de Ciências do Nordeste (Cecine) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na Cecine deu aulas práticas de ciência, com o objetivo de despertar reflexão sobre o conhecimento produzido.

Foi em estabelecimentos franceses onde atuaram vários ganhadores de Prêmio Nobel - Faculdade de Ciências de Paris e Universidade Pierre e Marie Curie – que fez seus dois doutorados (biologia da reprodução e biologia animal). Desses estudos resultaram oito artigos que relatam avanços sobre a fisiologia de insetos e o recebimento do Prêmio Réaumur (1979), que é concedido pela Sociedade Entomológica da França a estudos importantes na área da biologia.

De volta a UFPE, depois do segundo doutorado, Furtado foi responsável por implantar o ensino integrado, programa que visava dar formação básica aos alunos de vários cursos nas áreas médica e biológica. Em 1986, recebeu de Sérgio Arouca, presidente da Fiocruz na época, a responsabilidade de reerguer a unidade da Fundação no estado. Desafio aceito, investiu na formação dos recursos humanos e na reestruturação do centro, implantou novas técnicas de pesquisa, recebeu 60 pesquisadores visitantes – nacionais e internacionais - em cinco anos e fundou o Departamento de Entomologia, entre outras ações. Um marco na sua gestão foi o Programa de Controle da Filariose, que obteve apoio da Organização Mundial da Saúde e recursos financeiros de mais de 500 mil dólares, ajudando a controlar a doença no Recife.

“Marcos da sua trajetória são a produção científica de altíssima qualidade, a abertura ao novo e, sobretudo, a construção de condições de trabalho para todos. A generosidade é uma das coisas que fala muito do seu caminho. Da sua relação com as pessoas e com as situações”, disse Leda. De acordo com ela, também dizem sobre ele, ser uma pessoa de “alma, mente, espírito, temperamento, gênio, força, coragem, humor, disposição”.

Durante sua apresentação, ela leu carta de uma das filhas de Furtado que não pode comparecer ao evento. Em seu texto, Patrícia destacou que o pai sempre ramificou seus ensinamentos e paixão pela ciência a todos ao seu redor, 24 horas por dia.  Em um trecho afirmou: “E foi isso, esta dedicação e cuidado com as pessoas, que me fez entender que a ciência serve como um meio de melhorar, ajudar, reeducar as pessoas”.

Essas características do homem e do pesquisador André Furtado também foram citadas por pessoas que foram convidadas a falar sobre ele no evento: os pesquisadores Yara Gomes, Fátima Militão, Wayner Vieira, Constância Ayres e o reitor da Universidade de Pernambuco (UPE), Prof. Pedro Falcão.  Fátima ressaltou a confiança que o homenageado deposita nas pessoas com as quais trabalha e Constância o espírito ousado e a crença na capacidade intelectual das mulheres, não sendo machista, comportamento existente no universo da pesquisa. Já o reitor da UPE, enfatizou " um profissional à frente do seu tempo, com pesquisas sempre atuais. Ele foi o meu orientador na graduação e no mestrado. Foi responsável por minha formação acadêmica. A ele, todo o meu agradecimento".

A homenagem teve início com a palestra do ex-ministro da ciência e tecnologia e professor emérito da UFPE, Sérgio Rezende. Ele fez um panorama da ciência e da tecnologia no Brasil, destacando a falta de uma política consistente e continuada para o setor, desde os primeiros investimentos feitos na área.

Encerrando a cerimônia, André Furtado agradeceu a homenagem afirmando que sua atuação na direção da Fiocruz PE foi fruto de “circunstâncias” e que não fez mais que sua obrigação. Alegou ainda ter descoberto possuir um coração forte. “Vi como sou forte depois de ouvir tudo isso e meu coração continuar batendo, apesar do ventrículo esquerdo um pouco sobrecarregado”. 

Fonte: Ascom da Fiocruz-PE